Estabilidade
- 21 de abr.
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Atualizado: 14 de mai.
Um veleiro quando sofre um “knockdown” (adernamento brusco, chegando a ficar totalmente de lado, a 90º ou mais em relação à posição natual), volta ou não volta á posição normal?
Qualquer barco (em termos práticos) tem um ângulo limite de estabilidade positiva, a partir do qual o barco vai continuar emborcando. Em veleiros modernos aptos a mar aberto longe da costa, esse limite pode se situar em torno de 120º ( esse valor depende de forma do casco, deslocamento do barco, posição do centro de gravidade, e 120º foi citado apenas ilustrativamente).
Isso quer dizer que o barco pode adernar até passar da posição totalmente "deitada", 90º, e continuar indo até esse ângulo limite que ainda existe uma força que vai tender a fazê-lo voltar à posição normal. Passando desse limite, as forças farão com que ele continue a rotação e o barco fica estável emborcado.

Isso à primeira vista assusta, mas não é tão perigoso quanto parece, porque em primeiro lugar, se a situação chega nesse limite, usualmente não é por uma força constante e gradual, mas sim por uma combinação de fatores dinâmicos de onda quebrando em cima do barco conjugado com grandes rajadas de vento, e a mesma força que causou o adernamento até o limite ainda continua atuando dinâmicamente e na maioria das vezes o barco continua o giro até completar 360º, ou seja, ele retorna à posição "em pé", mas pelo lado oposto, não pela força restauradora inicial.
Quanto melhor for a estabilidade em termos de momento restaurador e ângulo limite de estabilidade positiva, mais rápido esse retorno se dá.
Consideremos ainda que se o mar estiver grande o suficiente para causar essa rolagem, ou um adernamento até aproximadamente 120º (ou o valor específico do barco em questão), é altamente provável que uma próxima onda role o barco emborcado o suficiente para que a força de estabilidade positiva volte a atuar e o barco recupere a posição natural.
Neste caso um barco bem construído e estanque tem mais possibilidades de ficar íntegro até que seja retornado à posição inicial.
No escritório B&G Yacht Design (Roberto Barros Yacht Design, o escirtório iniciado pelo grande navegador Roberto Barros, conhecido como Cabinho), nós levamos muito a sério esse fator da estabilidade, e sempre que possível procuramos desenhar o barco de forma a prover um ângulo limite de estabilidade positiva acima do requerido pelas normas da indústria.

Uma explicação sobre os fatores que afetam essa estabilidade seria muito longa para este post, nem é o propósito dele. Mas é importante que os navegadores entendam o que acontece quando um barco encontra condições extremas, e o que esperar do barco.
Bibliografia recomendada: Seaworthiness, the Forgotten Factor, C.A. Marchaj


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